"Que cada olho negocie por ele mesmo" participou da 3ª edição do Claro Curtas e fui selecionado como semifinalista na categoria Universitário. O tema foi: "O tempo do agora".
O curta experimental foi elaborado a partir do tema do festival e tive algumas influências de Histoire(s) du Cinéma do Godard (havia assistido pouco antes) na concepção do vídeo. A ideia era a expansão do tempo presente, a partir de uma cena, até chegar na realidade. O questionamento das imagens como forma de questionar a própria realidade.
Assim, no início o reflexo de uma mulher no metrô dá lugar a paisagem. O primeiro plano seria a metonímia do filme, onde busco então expandir esse tempo do agora, buscando uma atenção maior à imagem ao usar o recurso estilístico do P&B. A partir daí, questiono a própria imagem, o ver, como forma de expandir o seu significado. Em seguida, continuo a partir da descontrução dos códigos, como metáfora da crítica, como análise do emaranhado de significados. Os outros sentidos entram como forma de expandir, também, a própria realidade - que é combustível para a arte. Por fim, a câmera questiona os vários papéis de quem está por trás, as diferenças de quem produz as imagens. O reflexo da realidade expõe o próprio sujeito.
Foi utilizado uma câmera filmadora CANON HF-S21, 24p nativo, com qualidade de 24mp/s e resolução FULL HD. As imagens foram montadas no Adobe Premiere CS5. O som foi captado na própria câmera, com o auxílio de um microfone shotgun CANON DM-100. Desta vez, a qualidade da minha querida Canon me deixou muito satisfeito.
Minha sinopse, tão confusa quanto a descrição acima:
Para Sto. Agostinho "O presente do passado é a memória, o presente do presente é a visão. O presente do futuro é a expectativa". No curta, estes presentes intercalam-se e confundem-se, procurando fugir da noção de progresso linear buscando no "agora" um ímpeto original para se lançar na realidade - apreendendo-a de maneira paradoxal: buscando a totalidade sem que, com isso, se esgote as possibilidades. O tempo do agora é o tempo de interpretar esses presentes (fenômenos) em um mundo carregado de informações. Uma imagem é só uma imagem? O que há além do que se vê?


