Ultimamente*, devido também à rápida evolução dos meios de
comunicação, assistimos a um processo de aproximação de cultura de diversos
países. Ainda que se enfatize os países mais desenvolvidos, é possível um
contato muito maior através da facilidade de captação do fluxo de informação, seja
ele cultural ou não. Assim, focando-se o cinema, temos muito mais acesso a
filmes de outras nacionalidades (quebrando-se um pouco o imperialismo hollywoodiano)
do que em décadas passadas.
O que antes permanecia limitado aos cineclubes, mostras e
VHS em péssimo estado de conservação, agora ganha qualidade de DVD,
restaurações de película e se consegue difundir mais eficazmente filmes nacionais
e internacionais; conservando-se, assim, a memória cultural. Em suma, o acesso a
essa memória – da tríade americana da década de 20 (Harold Lloyd, Charles
Chaplin e Buster Keaton), passando pelo expressionismo alemão e nouvelle vague, chegando ao dogma 95 – se
tornou menos limitado com a globalização e evolução dos meios de comunicação.
As animações norte-americanas, em sua maioria, são
voltadas para o público infanto-juvenil – tanto longas, quanto séries de
televisão. No Brasil, importamos esse tipo de cultura; podemos exemplificar
isso através de uma rápida observação na grade de horários da televisão. Na televisão,
pela manhã, tradicionalmente encontra-se desenhos animados em programas voltados
para o público infantil. Quando um longa de animação entra na grade,
normalmente é um horário vespertino no final de semana – um horário “para toda
a família”.
No Japão, as animações são culturalmente encaradas de
modo diferente. Muitas vezes, advém do mangá – uma espécie de história em
quadrinhos oriental. Temporalmente, tem suas raízes no século VIII e foi se
desenvolvendo até chegar no século XX, onde
o mangá foi influenciado pela cultura norte-americana e adquiriu o
formato atual – com traços característicos, rostos expressivos e leitura da
direita pra esquerda.
Porém, ao contrário dos quadrinhos ocidentais, que são
mais voltados ao público masculino infanto-juvenil, os mangás encontram
inserção em todos os públicos – desde crianças a idosos, homens e mulheres,
heterossexuais ou homossexuais – com conteúdo infantil a erótico, passando por ficção
científica, romance e aventura.
Nesse caso, a produção e o consumo são análogos à
produção cinematográfica industrial, com diversos estilos para diversos
públicos. Decorre disso, algo similar ao furor causado no público por atores e
diretores - há um culto aos autores e personagens de maior sucesso, dentro e
fora do Japão, como acontece com Akira Toriyama e os personagens de Dragon Ball ou Eiichiro Oda e os piratas
de One Piece. Há também espaço para mangás
regionais, que traduzem cultura, história e contexto de onde surgem e também
fanzines; fogem à indústria, mas têm um público fiel.
Como era de se esperar, muitos mangás ganham adaptação para
a televisão e para o cinema, geralmente em forma de animação – os animês. Então,
não há um pré-conceito formado no Japão quanto ao público e isso se reflete na
grade de horários da televisão – há animê tanto no horário nobre quanto há
durante a manhã ou pela tarde.
Havia desde a década de 80, no Brasil, principalmente na
extinta rede Manchete, a exibição de séries de super-heróis japoneses com
atores, também chamadas de Live Action ou
Tokusatus. Pra quem não se lembra: Jaspion, Jiraya, Jiban, Ultraman, Black
Kamen Rider e similares. Alguns
animês fizeram relativo sucesso também, como Speed Racer; porém o boom
foi desencadeado pelos Cavaleiros do
Zodíaco em meados da década 90. Pode-se perceber que as distribuidoras
ainda eram/são ligadas ao tradicionalismo e importam, praticamente, somente
séries infanto-juvenis. Por isso, ainda há um enorme preconceito quanto às
animações e o público a que se destinam. As animações podem contar com um
conteúdo e narrativa interessantes até para os mais letrados.
Nos últimos anos, principalmente através da Internet, as
culturas do mangá e do animê se inseriram no mercado ocidental. Há fansubs que traduzem episódios, filmes e
mangás japoneses, poucos dias após o lançamento em terras nipônicas. Hoje é possível ver desde animês atualmente
populares no Japão, quanto antigos clássicos. É possível encontrar facilmente
os badalados Evangelion, Cowboy
Bebop, Full Metal Alchemist, Naruto, Bleach e Death Note, assim como longas cultuados como Akira, Cemitério dos Vagalumes e Ghost in the Shell.
Filmes Citados:
Akira (Idem, 1988/Katsushiro Otomo)
Ghost in the Shell (Kokaku
Kidotai, 1995/Mamoru Oshii)
Cemitério dos Vagalumes (Hotaru no Haka, 1988/Isao
Takahata)
The Matrix (Idem, 1999/Andy &
Larry Wachowski)
Mangás Citados:
Dragon Ball (Idem, 1984-95/Akira Toriyama)
One Piece (Idem, 1997-/Eiichiro
Oda)
Séries Citadas:
Speed Racer (Mahha Go Go Go, 1967-68/Tatsuo
Yoshida)
Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya, 1986-89/Masami
Kurumada)
Evangelion (Shin Seiki
Evangelion, 1995-96/Hideaki Anno)
Full Metal Alchemist (Hagane no
Renkinjustushi, 2003-04/ Seiji Mizushima)
Naruto (Idem, 2002-/Masashi Kishimoto)
Cowboy Bebop (Kauboi Bibappu,
1998/Hajime Yatate)
Bleach (Idem, 2004/ Tite Kubo)
Death Note (Desu Noto, 2006-07/
Tsugumi Ohba)
Jaspion (Kyojuu Tokusou Jaspion,
1985-86/ Akihira Tojo)
Jiraya (Sekai Ninja Sei Jiraya, 1988-89/ Toei Company)
Jiban (Kidou Keiji Jiban,
1989-90/ Toei Company)
Ultraman (Urutoraman, 1966-67/
Hajime Tsuburaya)
Black Kamen Rider (Kamen Rider
Black, 1987/ Shotaro Ishinomori)

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