"Canção do exílio" foi realizado a partir do tema de migração, inclusão, diversidade e afins para o festival Plural + 2011. Pelo curta, recebi o prêmio "PLURAL+ Scalabrini International Migration Network Award".
O curta se baseou, primeiramente, no meu contato com a imigração. Além de ter contato com pessoas próximas e familiares, meus pais estavam em processo de imigração. Em 2011, também escrevi 2 projetos de mestrado relacionados ao tema, apesar de não ter tido êxito.
Apesar de não ser muito o perfil do festival, escolhi dar uma ênfase na expansão do mundo do imigrante, retratando sua família e a vida que é deixada para trás, assim como algumas transformações para os que ficam. Como fio condutor, escolhi o renomado e exaustivamente parodiado poema de Gonçalves Dias
Canção do Exílio
"Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá; / As aves que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas, / Nossas várzeas têm mais flores, / Nossos bosques têm mais vida, / Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite, / Mais prazer encontro eu lá; / Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores, / Que tais não encontro eu cá; / Em cismar - sozinho, à noite - / Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra, / Sem que eu volte para lá; / Sem que desfrute os primores / Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras, / Onde canta o Sabiá."
Não permita Deus que eu morra, / Sem que eu volte para lá; / Sem que desfrute os primores / Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras, / Onde canta o Sabiá."
Apesar da referência, não pretendia fazer imagens que contrastassem os "lares", mas que fosse levado o lar àquele indivíduo distante do mesmo . Assim, a alternativa foi explorar a ausência do imigrante em sua casa, evocando imagens onde seria esperado que alguém ali estivesse, situações cotidianas e fugazes. Como se fosse uma presença ausente, onde os laços permanecem, ainda que sejam falsos por não se alimentarem do dia-a-dia, caraterístico da condição paradoxal da imigração. A esse paradoxo, do "não-estar" soma-se a expectativa do retorno, de fuga da "gaiola", ideal de todo imigrante, ao mesmo tempo em que se reforça a irretroabilidade do passado.
Em paralelo, o som narra uma carta aberta de um filho a seu pai, trazendo esse duplo sentido do migrar, essa ausência presente e, por fim, um lar para se retornar.
Ficha Técnica: Novamente usei a CANON HF-S21, 24p nativo, com qualidade de 24mp/s e resolução FULL HD. O curta foi montado no Adobe Premiere CS5. O som foi captado na própria câmera, com o auxílio de um microfone shotgun CANON DM-100. Finalizei em DVD e o envio para o youtube foi de responsabilidade do festival, somente até em 480p. O som me incomoda um pouco, mas não chega a atrapalhar o resultado final. Versão final com 4:20 minutos.
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